Promovendo o diálogo entre os pesquisadores e profissionais que atuam com osteopatia no Brasil e em outros países, buscamos a manutenção da qualidade do ensino, prática, pesquisa e a atualização constante. Acreditamos na promoção da osteopatia com respeito ao tema em debate para divulgação e uso público.
A osteopatia é um sistema independente de cuidados de saúde primário, centrado no indivíduo. Na medicina Ocidental foi uma das primeiras disciplinas médicas a enfatizar a importância do cuidado centrado na pessoa 1. Originou-se nos Estados Unidos no século XIX, com o médico Dr. Andrew Taylor, sendo praticada desde então em vários países onde, como profissão, já se encontra regulamentada.
A filosofia osteopática apresenta-se como a base da abordagem distinta da medicina osteopática e da osteopatia nos cuidados de saúde. Sua filosofia atua como um conjunto unificador de ideias para a organização e aplicação do conhecimento científico osteopático específico e, em geral, no cuidado à pessoa. Este conhecimento é organizado em relação a todos os aspectos da saúde física, mental, emocional e espiritual2,3.
A prática osteopática utiliza conhecimentos específicos osteopáticos, médicos e científicos com abordagem própria manual avaliativa, diagnóstica e terapêutica. Um dos objetivos é evidenciar as disfunções de mobilidade articular e tissular, partindo do princípio de que elas podem contribuir para a alteração do equilíbrio da saúde. Emprega o Tratamento Manipulativo Osteopático (TMO) nas diferentes condições de atenção à saúde, seja como prevenção, terapêutica principal ou adjunta, curativa ou paliativa.
Sua prática manual inclui um senso altamente desenvolvido de toque como um componente significativo para o diagnóstico e conduta terapêutica, e considera o indivíduo em sua globalidade e em relação ao meio ambiente, aos aspectos biológicos, somáticos, emocionais, espirituais. Os osteopatas avaliam as estruturas corporais (soma) em sua função e integridade utilizando raciocínio crítico dos princípios osteopáticos, resumidos como relacionamento entre estrutura e função em todos os níveis, capacidade de autorregulação do organismo se as condições forem adequadas, funções voltadas para auto-cura. Uma das perspectivas utilizadas por osteopatas tem como base a visão biomédica de saúde.
Nela cinco modelos de relação estrutura-função guiam os osteopatas em sua abordagem diagnóstica e terapêutica: Modelo biomecânico, respiratório/circulatório, neurológico, biopsicossocial e bioenergético. Esses modelos são normalmente utilizados em combinação, proporcionando uma base para interpretação da importância da disfunção nos contextos objetivos e subjetivos da informação clínica. A adaptação da combinação escolhida será adaptada ao diagnóstico, comorbidades, outros regimes terapêuticos e resposta do indivíduo ao tratamento 4–7
A prática osteopática em si é bastante complexa e outros modelos explicativos vêm sendo incluídos nos programas de treinamento e pesquisas contribuindo para o desenvolvimento e fundamentação de sua abordagem biopsicossocial, fenomenológica e, em relação à dor especificamente, uma visão enativa do processo vivido no corpo.1,8.
De acordo com Paulus e colaboradores (2013) a pedra fundamental do sistema osteopático de cuidados com a saúde baseia-se nas forças de cura não nomeadas que estão de acordo com a natureza. Cada osteopata cultiva uma prática auto reflexiva pessoal e desenha sua ação terapêutica sobre esse trabalho interior para fornecer um trabalho osteopático interligado9.
Além do TMO, os osteopatas também orientam exercícios, promovem o engajamento em atividades físicas, medidas ergonômicas e práticas de autocuidado. Eles podem adicionalmente discutir práticas mente-corpo para controle da dor e estratégias para o manejo da dor crônica.
A osteopatia também contribui para características muito distintas do encontro clínico. Alguns desses recursos são o cuidado centrado na pessoa, a promoção da saúde e o envolvimento com os pacientes como especialistas em sua própria saúde.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a regulamentação da osteopatia e a prevenção da prática por profissionais não qualificados exigem um sistema próprio de treinamento, exame e licenciamento (WHO, 2010).
A OMS publicou em 2010 as Diretrizes para a Formação Osteopática, estabelecendo os níveis mínimos para o treinamento e as competências do profissional Osteopata. Você pode acessar as diretrizes em sua versão original, em inglês, ou sua tradução juramentada em português.
Existem dois tipos de formação do Osteopata, dependendo da experiência clínica prévia dos discentes:
Formação integral com duração mínima de 4 anos composta de 4200 h, incluindo 1000h de estágio clínico supervisionado. Os programas de treinamento do tipo I destinam-se àqueles com um pouco ou nenhum treinamento na área da promoção, manutenção e restauração da saúde, mas que concluíram o ensino médio ou equivalente. A prática clínica supervisionada, em uma clínica osteopática, é componente essencial no treinamento dos osteopatas, associado a elaboração de trabalho de pesquisa que os estudantes elaborem como uma tese ou trabalho de conclusão de curso.
Os programas de treinamento do tipo II destinam-se àqueles com treinamento anterior e capacitação universitária como profissionais da saúde. Os programas do Tipo II têm os mesmos propósitos e conteúdo dos programas do Tipo I, mas o conteúdo do curso e a extensão podem ser modificados, na dependência da experiência prévia e do treinamento dos candidatos individuais. O desenvolvimento dos programas do Tipo II pode ser etapa temporária, dependendo do desenvolvimento dos programas do Tipo I em osteopatia. Este tipo de treinamento, em regime parcial, é oferecido a profissionais da área da saúde de nível superior (WHO, 2010) .
Atualmente o modelo tipo I existe nos EUA, Reino Unido, França, Bélgica, Suíça, Itália, Finlândia, Austrália, Nova Zelândia, Canadá. Em vários desses países os dois modelos coexistem. Já em outros, até a presente data, a única forma de acesso à formação em Osteopatia é o treinamento Tipo II. É o caso do Brasil e Argentina.
Enquanto o treinamento em osteopatia engloba as habilidades que formam a base para a abordagem osteopática, o conhecimento básico e o entendimento dos tratamentos médicos comuns alopáticos disponíveis aos pacientes são necessários para a prática competente como profissional na área de restauração da saúde de contato primário. Além disso, o osteopata deve entender o raciocínio clínico de protocolos do tratamento padrão já estabelecidos; como o corpo responde a esses tratamentos; e como os protocolos podem influenciar na seleção e aplicação do tratamento osteopático.
Todos os elementos do currículo são administrados dentro do contexto de direcionamento ao indivíduo e não à doença, visualizando alguém que aspira à restauração plena de sua saúde, dentro das possibilidades e condições pré-existentes de saúde e na importância de ambos – paciente e profissional – formarem uma aliança terapêutica.
Nos países onde a profissão osteopática é regulamentada por lei a educação profissional continuada é obrigatória para a manutenção da licença profissional. No Brasil a formação continuada é fortemente encorajada nas escolas que seguem as orientações da OMS para sua capacitação 3,7,18–22,10–17.
Osteopatia baseada em evidências
CABSIN promove 1º Simpósio Técnico-Científico de Osteopatia