A consolidação da Fitoterapia no SUS representa um avanço significativo para a saúde pública brasileira. Contudo, essa integração não ocorre de forma isolada, sendo resultado de um esforço estruturado para qualificar a oferta de Práticas Integrativas e Complementares (PICS) com base em evidências científicas.
Nesse contexto, a articulação acadêmica desempenha um papel central. Organizações como o Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) garantem que a expansão dessas práticas seja segura, eficaz e alinhada às necessidades do sistema de saúde.
O CABSIN, uma organização sem fins lucrativos, funciona como uma rede colaborativa formada pelas mais importantes instituições de ensino e pesquisa do Brasil. Sua missão é responder à necessidade de institucionalizar as PICS, que cresciam em demanda, mas careciam de uma base científica e de gestão mais robusta.
Portanto, a filosofia do consórcio foca na complementaridade qualificada ao modelo biomédico. A visão estratégica é consolidar um SUS mais integral e resolutivo, utilizando abordagens terapêuticas com eficácia e segurança comprovadas.
Construindo a Base de Evidências para a Fitoterapia no SUS
Para fortalecer a base científica das práticas, o Grupo de Trabalho (GT) de Pesquisa do CABSIN desenvolve e atualiza os “Mapas de Evidências das PICS”. Essa ferramenta sintetiza a qualidade dos estudos existentes e aponta lacunas no conhecimento.
Dessa forma, o trabalho direciona novas pesquisas de maneira estratégica. Consequentemente, a produção de conhecimento qualificado eleva a confiança de profissionais e gestores na implementação da Fitoterapia no SUS.
Além da pesquisa, a qualificação profissional é outro pilar fundamental. O GT de Educação atua na proposição de diretrizes curriculares para inserir as PICS na graduação da área da saúde, padronizando o ensino em nível nacional.
Paralelamente, o GT de Gestão e Assistência oferece apoio técnico a gestores. A elaboração de manuais e guias práticos traduz a complexidade da gestão em ações exequíveis, facilitando a implementação de serviços de fitoterapia nos municípios e estados.
Da Academia à Política Pública
A influência do consórcio se estende à formulação de políticas públicas. Através de seu GT de Relações Institucionais, o CABSIN atua como interlocutor técnico-científico junto ao Ministério da Saúde e outros órgãos estratégicos.
As evidências geradas, como os Mapas, fornecem subsídios para a tomada de decisão informada. Esse advocacy qualificado garante que a pauta da saúde integrativa avance no debate público e político com base na melhor ciência disponível, livre de interesses ideológicos ou comerciais.
O impacto social desse trabalho é vasto e fortalece diretamente o SUS. Ao gerar evidências sobre eficácia, segurança e custo-efetividade, o consórcio oferece ao sistema de saúde mais opções terapêuticas para desafios como doenças crônicas e promoção da saúde.
Além disso, essa atuação combate a desinformação ao centralizar conhecimento de alta qualidade. Com isso, o debate sobre a Fitoterapia no SUS e outras PICS é elevado do campo da opinião para o da ciência.
Em resumo, o avanço da fitoterapia como estratégia de cuidado no Brasil é impulsionado por uma sólida articulação entre pesquisa, formação e gestão. Uma análise aprofundada sobre como o investimento público e a ciência transformam esse potencial em realidade foi publicada no portal The Conversation.
Leia a análise no The Conversation

