O Impacto da Asma no Brasil e no Mundo
Em 21 de junho, Dia Nacional de Controle da Asma, o Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) chama atenção para a importância de ampliar o olhar sobre uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns no Brasil e no mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a asma está associada a mais de 400 mil mortes por ano. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) afirma que a condição acomete cerca de 20% das crianças e 23,2% da população geral.
Doença não transmissível grave (DNC) de natureza alérgica que afeta pessoas de todas as idades, com maior prevalência na infância, a asma é causada pela inflamação e contração muscular das vias aéreas no nível dos brônquios, o que dificulta a expiração do ar. Seus sintomas incluem crises de tosse recorrente, com chiado no peito e falta de ar, podendo variar em intensidade e frequência de pessoa para pessoa ao longo do tempo. A doença pode ainda apresentar períodos assintomáticos.
Estratégias Terapêuticas e Autocuidado
A OMS destaca que os medicamentos inalados são a principal estratégia terapêutica para reduzir os sintomas agudos, controlar a inflamação das vias aéreas e prevenir crises graves, mas enfatiza a importância da educação em saúde, do reconhecimento dos fatores desencadeantes e da adoção de estratégias de autocuidado para melhorar o controle da doença e permitir que as pessoas levem uma vida ativa e saudável.
MTCI e o Cuidado Centrado na Pessoa
No campo da Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (MTCI), o tema tem sido discutido a partir de uma premissa central: práticas integrativas não substituem o tratamento medicamentoso, mas podem compor estratégias de cuidado complementar centradas na pessoa, especialmente quando orientadas por profissionais qualificados e integradas ao acompanhamento clínico.
“A asma é uma condição alérgica crônica que exige tratamento adequado, plano de cuidado e acompanhamento profissional. O papel da Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa é ampliar as possibilidades de cuidado seguro baseado em evidências e centrado na pessoa. As estratégias terapêuticas multimodais, como fitoterápicos, yoga, acupuntura, medicina antroposófica, medicina ayurveda, entre outras, aliadas ao tratamento convencional, conseguem não somente reduzir a frequência e a intensidade das crises como, nesses casos, a necessidade de corticoterapia. Com isso, os broncodilatadores inalatórios são capazes de controlar as crises mais facilmente e há menor incidência de pneumonias associadas. Quando bem indicadas, diversas modalidades de MTCI podem contribuir para o autocuidado, a qualidade de vida e o maior vínculo do paciente com seu plano terapêutico”, destaca o pediatra Ricardo Ghelman, que é fundador e vice-presidente do CABSIN.
Consequências da Asma Não Controlada
A asma frequentemente compromete a qualidade de vida dos pacientes. Distúrbios do sono, cansaço durante o dia, dificuldade de concentração, faltas escolares e afastamentos do trabalho estão entre as consequências mais comuns da doença quando não está adequadamente controlada. Em situações mais graves, com risco de vida, podem ser necessárias internações hospitalares e atendimentos de emergência.
No Brasil, dados da SBP indicam que a condição é responsável por cerca de 350 mil internações anuais e figura entre as principais causas de hospitalização no Sistema Único de Saúde (SUS), além de estar associada a aproximadamente 2 mil mortes por ano no país, o equivalente a cerca de três óbitos por dia.
O Que Dizem as Evidências Científicas
Os Mapas de Evidências desenvolvidos pelo CABSIN e pelo Centro Latino-americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME/OPAS/OMS) reúnem revisões sistemáticas que investigam o uso complementar de diferentes práticas integrativas no cuidado de pessoas com asma.
Entre as intervenções avaliadas estão a acupuntura e a auriculoterapia, com resultados positivos como terapias adjuvantes para o manejo de sintomas respiratórios; abordagens da Medicina Tradicional Chinesa, incluindo práticas mente-corpo, exercícios respiratórios e fitoterápicos associados à farmacopuntura; a massagem pediátrica Shantala, relacionada à redução de crises em crianças com asma crônica; e yoga e outras práticas corporais, estudadas por sua contribuição para o controle respiratório e o bem-estar geral.
Resultados e Integração Criteriosa
A literatura científica aponta que essas práticas podem contribuir para desfechos como bem-estar e apoio ao manejo dos sintomas quando utilizadas de forma complementar ao tratamento convencional. No entanto, os resultados variam conforme a intervenção, o perfil dos pacientes e a qualidade metodológica dos estudos, reforçando a importância da avaliação científica rigorosa e da orientação profissional adequada.
“A integração das práticas tradicionais, complementares e integrativas aos sistemas de saúde deve ser feita com critério. Em doenças crônicas como a asma, isso significa reconhecer que o cuidado não se limita ao controle da crise. Envolve prevenção, mudança no estilo de vida, com maior contato com a natureza e adoção de dieta à base de plantas, cuidado da saúde mental e participação ativa do paciente e da família. É nesse ponto que a abordagem integrativa pode dialogar com a promoção da saúde”, afirma Ghelman.
Prevenção e Diagnóstico Precoce
Para o CABSIN, o Dia Nacional de Controle da Asma é uma oportunidade para reforçar que informação de qualidade salva vidas. Grande parte das internações e mortes associadas à doença poderia ser evitada por meio do diagnóstico precoce e da adesão adequada ao tratamento preventivo e das crises, reduzindo o risco acumulado de efeitos adversos.
“Pessoas com sintomas respiratórios recorrentes devem buscar avaliação profissional, seguir corretamente o tratamento prescrito e evitar a automedicação. As práticas integrativas, quando utilizadas, devem ser comunicadas à equipe de saúde e incorporadas de forma complementar, segura e baseada em evidências”, resume o vice-presidente do Consórcio.


