Ministério da Saúde leva o Brasil ao debate global da OMS sobre Medicina Tradicional
O Ministério da Saúde participa da II Cúpula Global de Medicina Tradicional da Organização Mundial da Saúde (OMS), que acontece de 17 a 19 de dezembro de 2025, em Nova Délhi, na Índia. A pasta conta com representação institucional de Ilano Almeida Barreto e Silva, secretário adjunto da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (SAPS/MS), e participação numa das principais plenárias do evento.
Daniel Amado – gestor no Núcleo Técnico de Gestão da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde/SAPS do Ministério da Saúde – é painelista da sessão “Medindo o progresso e traçando os próximos passos: padrões, dados e inteligência artificial responsável, do conhecimento ancestral à ação”, que acontece no dia 19 de dezembro, das 9h às 10h15 (horário Nova Déli). A discussão integra a programação central da cúpula e aborda como a responsabilização pode ser estruturada e praticada de forma consistente nos sistemas de saúde, a partir de padrões, dados comparáveis e uso responsável de tecnologias.
Conhecimentos ancestrais e mecanismos de responsabilização
A sessão parte do reconhecimento de que a medicina tradicional se apóia em conhecimentos ancestrais, práticas culturais e relações históricas de confiança entre comunidades e profissionais. Ao mesmo tempo, discute a necessidade de mecanismos contemporâneos de responsabilização que assegurem transparência, segurança e integração dessas práticas aos sistemas nacionais de saúde, sem comprometer a diversidade dos saberes e a integridade cultural. Diferentes formas de produzir, transmitir e aplicar conhecimento em saúde coexistem nos sistemas tradicionais, e os mecanismos de responsabilização precisam levar em conta essa diversidade para garantir legitimidade social e confiança pública.
Produção de dados e uso responsável de tecnologia e IA em saúde
Um dos eixos do debate é a produção e o uso de dados padronizados e comparáveis sobre medicina tradicional. A disponibilidade de informações mensuráveis é apontada como condição para apoiar decisões baseadas em evidências, avaliar resultados, monitorar impactos e orientar políticas públicas. Segundo a OMS, a ausência de dados consistentes ainda é um dos principais desafios para a integração responsável da medicina tradicional aos sistemas de saúde contemporâneos.
Outro tema discutido é o uso responsável de tecnologias digitais e de inteligência artificial no campo da MTCI. A proposta apresentada na sessão enfatiza que essas ferramentas devem ser aplicadas de forma ética, transparente e centrada nas pessoas, contribuindo para qualificar o cuidado e fortalecer a governança em saúde. Ao mesmo tempo, destaca-se a importância de evitar abordagens tecnológicas que simplifiquem excessivamente sistemas tradicionais de cuidado ou desconsiderem contextos culturais específicos.
A importância da participação e investimentos
A importância da participação ativa de atores estatais e não estatais, bem como de investimentos que valorizem o patrimônio cultural associado à medicina tradicional, é mais um ponto do debate. A responsabilização, nesse sentido, envolve escolhas éticas e políticas relacionadas à alocação de recursos, à proteção do conhecimento tradicional e à promoção da equidade no acesso aos serviços de saúde.
Experiência brasileira e a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares
A participação do Ministério da Saúde na Cúpula a OMS dialoga com a experiência do país na implementação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS). A política orienta a organização da oferta de práticas integrativas, o registro dessas ações nos sistemas de informação em saúde e o uso de dados para monitoramento e avaliação das políticas públicas no campo da MTCI.
A sessão também se insere no contexto mais amplo da II Cúpula Global de Medicina Tradicional da Organização Mundial da Saúde, que aprofunda a implementação da Estratégia Global de Medicina Tradicional da Organização Mundial da Saúde 2025–2034. O documento orienta os países a fortalecer a governança, a base de evidências, a equidade e a sustentabilidade dos sistemas de saúde, reconhecendo o papel da MTCI na ampliação do acesso ao cuidado e na resposta a desafios globais em saúde.
Vozes do Brasil no Second WHO Global Summit on Traditional Medicine
- Daniel Amado – Gestor no Núcleo Técnico de Gestão da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde/SAPS do Ministério da Saúde
- Speaker na Plenária 4: “Medindo o progresso e traçando os próximos passos: padrões, dados e inteligência artificial responsável, do conhecimento ancestral à ação”
- Dia: 19/12/2025
- Horário: 9h–10h15 (Índia)
Para assistir: todas as sessões serão gravadas e estarão disponíveis ao final de cada dia da Global Summit em: tm-summit.org


