Missão Oficial à Índia

O fundador e vice-presidente do Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) e consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ricardo Ghelman, foi convidado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a integrar a comitiva do governo brasileiro em missão à Índia, realizada em fevereiro de 2026. O objetivo da viagem foi fortalecer a cooperação bilateral Brasil-Índia nas áreas de tecnologia e inovação em saúde e em produção de medicamentos e vacinas, durante o Artificial Intelligence Impact Summit, e discutir avanços estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

A participação de Ghelman na agenda internacional do Ministério da Saúde reforça o reconhecimento institucional do Consórcio – que hoje reúne pesquisadores de 71 universidades – como referência na sistematização de evidências científicas em Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (MTCI) para apoiar a tomada de decisões clínicas e políticas públicas. Também consolida a aproximação com o ministério em pautas estruturantes para o país. Em janeiro, membros da diretoria do CABSIN participaram de uma reunião estratégica, em Brasília, convocada pelo ministro Padilha com a presença de lideranças de diversas áreas do Ministério da Saúde.

Diálogo de Alto Nível com Autoridades Indianas

A primeira agenda junto à comitiva brasileira foi no dia 18 de fevereiro, em Nova Délhi, com o ministro da Saúde e Bem-Estar da Índia, Jagat Prakash Nadda, e sua equipe, seguida de reunião com o ministro AYUSH, Prataprao Jadhav. Criado em 2014, o Ministério AYUSH – acrônimo de Ayurveda, Yoga, Unani, Siddha e Homeopatia – atua em parceria com a OMS no desenvolvimento, educação, pesquisa e disseminação de sistemas tradicionais de medicina e bem-estar, promovendo sua integração com a medicina convencional.

No encontro com o ministro Jagat Nadda, o foco foi o fortalecimento da parceria entre os dois países na produção de medicamentos e tecnologias em saúde, incluindo medicamentos oncológicos e produtos voltados ao enfrentamento de doenças tropicais, além de possíveis parcerias entre instituições públicas como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e empresas brasileiras e indianas.

Incorporação da Medicina Ayurvédica no Brasil

Já na reunião com o ministro Prataprao Jadhav, foram discutidos caminhos concretos para a incorporação estruturada da Medicina Ayurvédica no Brasil. Jadhav propôs a criação de uma equipe de trabalho bilateral para viabilizar treinamentos de profissionais brasileiros na Índia, e cooperação em pesquisa e implementação da abordagem em áreas estratégicas como diabetes, oncologia, fitoterapia e neurodesenvolvimento (como paralisia cerebral).

Durante a reunião, o ministro Alexandre Padilha convidou formalmente os ministros indianos para o encontro dos países do grupo BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, programado como atividade prévia do 5º Congresso Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (CONGREPICS), a ser realizado em Salvador (BA), entre os dias 6 e 9 de maio de 2026.

Agenda de implementação e regulamentação da Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa informada por evidências científicas

Para Ricardo Ghelman, o diálogo com o Ministério AYUSH representa um marco estratégico para a implementação qualificada da Ayurveda no país.

“O modelo de cuidado da Índia é muito focado na prevenção, na promoção do bem-estar e na longevidade saudável, não somente pela prática milenar da Yoga, mas também pela orientação alimentar. Não existe outro sistema médico no mundo tão rico e elaborado em termos de dietética para a saúde como o Ayurveda, baseada nos diagnósticos constitucionais e que permite traçar orientações de estilo de vida mais adequadas à constituição do indivíduo. O Mapa de Evidências da Efetividade Clínica do Ayurveda – elaborado por pesquisadores do CABSIN a pedido da OMS Índia e compartilhado com o Ministério AYUSH – já demonstrou a validade dessas abordagens multimodais (estilo de vida, dieta, yoga, medicamentos e tratamentos ayurvédicos) na prevenção e tratamento do diabetes e de condições cardiovasculares identificadas no conceito de síndrome metabólica, que também são fatores de risco para câncer”, ressalta.

Expansão e Avanços Regulatórios

Segundo ele, o encontro permitiu estreitar laços para expandir a implementação da Medicina Ayurvédica e da Yoga no Brasil de maneira estruturada – com envolvimento das universidades e incorporação de ações na atenção primária -, especialmente na prevenção dessas e outras doenças crônicas, mas também na linha de cuidado do câncer para redução de efeitos adversos da quimio e da radioterapia.

A agenda também avançou no campo regulatório. Durante a reunião, o ministro Alexandre Padilha destacou a necessidade de regulamentação de produtos da Medicina Ayurvédica e da Medicina Tradicional Chinesa – sob a condução do diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Leandro Safatle -, como forma de apoiar ações de implementação no Sistema Único de Saúde (SUS).

Colaboração Técnica e Articulação Interinstitucional

Considerando o avanço recente da Anvisa na nova regulamentação de fitoterápicos, o caminho indicado seria a elaboração de notas técnicas aditivas com a colaboração do Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) e dos pesquisadores experts de seus comitês técnicos de Ayurveda, Medicina Tradicional Chinesa e Produtos Naturais, por meio da sistematização de evidências científicas sobre produtos específicos, com foco em segurança, qualidade e estudos de custo-efetividade.

Participaram das reuniões: a secretária da Assessoria de Assuntos Internacionais (AISA) Marise Ribeiro Nogueira, o diretor-geral da Anvisa, Leandro Safatle, o diretor do Departamento de Saúde da Família, José Eudes Barroso Vieira, e a vice-presidente de Produção e Inovação da Fiocruz, Priscila Ferraz, evidenciando a articulação interinstitucional em torno da pauta.

Visita ao All India Institute of Ayurveda

No dia 21 de fevereiro, a comitiva brasileira visitou o complexo hospitalar do All India Institute of Ayurveda (AIIA), hospital público do Ministério AYUSH que realiza pesquisa, ensino e assistência em larga escala. Participaram da atividade o diretor do CABSIN, Ricardo Ghelman, o diretor do Departamento de Saúde da Família (DESF/MS), José Eudes Barroso Vieira, o diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência (DAHU/MS), Dr. Fernando Figueira, o diretor-geral do AIIA, professor Pradeep Kumar Prajapati, e chefes dos departamentos de oncologia e pediatria do complexo.

A comitiva conheceu de perto a estrutura assistencial do instituto, incluindo os departamentos de pediatria, saúde da mulher, cirurgia e terapia intensiva, acompanhando na prática os tratamentos realizados pela Medicina Ayurvédica em diferentes especialidades. Além das áreas de assistência, o grupo visitou espaços de pesquisa e de cursos de pós-graduação. Entre os destaques, o projeto de Ayurgenomics – iniciativa pioneira que integra os fundamentos da Ayurveda com a genômica moderna para o desenvolvimento de estratégias de medicina personalizada, com foco em diagnóstico tradicional (tridoshas) associado a marcadores genéticos.

Desdobramentos para o CABSIN e para o SUS

A participação do CABSIN na missão do governo brasileiro à Índia consolida o protagonismo do Consórcio na agenda internacional da MTCI e reforça sua posição como parceiro estratégico do Ministério da Saúde na qualificação da incorporação de práticas integrativas no SUS.

Os desdobramentos incluem a perspectiva de cooperação acadêmica internacional, fortalecimento da pesquisa em MTCI, apoio técnico à regulação sanitária e ampliação da implementação com base em evidências científicas, especialmente na promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas.

Ao integrar essa missão, o CABSIN reafirma seu compromisso com os objetivos da Estratégia Global de Medicina Tradicional 2025-2034 da OMS: produção e sistematização de evidências científicas como contribuição para a regulamentação, implementação e colaboração nacional e internacional.