Dra. Mariana Cabral Schveitzer: “MTCI para dor crônica: mapeamento de evidências”
A dor crônica é um dos maiores desafios contemporâneos da saúde pública. No Brasil, cerca de 60 milhões de pessoas, aproximadamente 37% da população, convivem com algum tipo de dor persistente, como lombalgia, dores articulares, cefaleia, enxaqueca e neuropatias. Esse cenário impõe impactos significativos à qualidade de vida e aos sistemas de saúde, reforçando a necessidade de abordagens seguras, custo-efetivas e fundamentadas em evidências científicas.
É nesse contexto que a Profa. Dra. Mariana Cabral Schveitzer, professora da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e pesquisadora do Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN), participa da Segunda Cúpula Global de Medicina Tradicional da OMS (Second WHO Global Traditional Medicine Summit – GTMS), de 17 a 19 de dezembro de 2025, em Nova Délhi, Índia. No evento, a pesquisadora apresentará o estudo “MTCI para dor crônica: mapeamento de evidências”, contribuindo para o debate internacional sobre o papel da Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (MTCI) no cuidado da dor.
Cenário e método
O estudo parte da alta prevalência da dor crônica e de seu impacto funcional, emocional e social. Para responder à pergunta central – Qual a eficácia da MTCI no manejo da dor crônica? -, foi adotado o método de Mapeamento de Lacunas de Evidências, reconhecido por sintetizar grandes volumes de pesquisas e apoiar decisões clínicas, de gestores e políticas públicas. Foram incluídas revisões sistemáticas que descrevem práticas de MTCI e seus desfechos em dor crônica. Revisões com apenas um estudo primário por prática ou sem descrição clara dos resultados foram excluídas. O método utilizou os instrumentos PRISMA e AMSTAR 2, assegurando rigor metodológico e transparência na avaliação da qualidade dos estudos.
Resultados
Ao todo, 157 revisões sistemáticas foram incluídas, com desfechos relacionados ao alívio da dor, osteoartrite, cefaleia, fibromialgia, dor neuropática e dores cervicais e lombares. Entre as terapias não farmacológicas com efeitos positivos ou potencialmente positivos, destacam-se Tai Chi, meditação, yoga, reflexologia, ventosaterapia, acupuntura e auriculoterapia, com impacto relevante na redução da dor e na melhora da qualidade de vida. Na fitoterapia, evidências de qualidade moderada a alta sustentam o uso de Curcuma longa, Zingiber officinale (gengibre), Harpagophytum procumbens (garra do diabo) e Salix daphnoides para osteoartrite, além de Aloe vera para dor facial.
Conclusões e impacto em políticas públicas
Os resultados integram um conjunto mais amplo de revisões sistemáticas em MTCI (2018 a 2022) e já subsidiaram o desenvolvimento de uma diretriz clínica para o cuidado de pacientes com dor crônica na cidade de São Paulo. Com a participação de mais de 100 pesquisadores, e financiamento do Ministério da Saúde, Fiocruz, Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e OMS, o estudo reforça o potencial da MTCI para orientar o autocuidado, apoiar profissionais de saúde e ampliar sua implementação nos serviços de saúde.
Perfil da pesquisadora
Mariana Cabral Schveitzer é professora de Medicina Preventiva da UNIFESP, onde coordena o Grupo de Pesquisa em Promoção da Saúde e Terapias Complementares e o Núcleo de Evidências CARE. É pesquisadora do CABSIN, doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade Católica Portuguesa, com pós-doutorado pela USP. Foi professora visitante Fulbright na Universidade da Califórnia, San Diego, Estados Unidos, é especialista em Acupuntura e Saúde Pública, autora de mais de 60 artigos científicos e do livro Autocuidado: Uma abordagem dinâmica para a saúde integral. A participação da Dra. Mariana Schveitzer como speaker e também Steering Committee do II Summit da OMS evidencia a contribuição brasileira para a agenda global da saúde integrativa, conectando ciência, políticas públicas e cuidado centrado na pessoa.
Ministério da Saúde e BIREME: mais brasileiros na Cúpula Global da OMS
Mais representantes brasileiros estarão na II Cúpula Global da OMS em Medicina Tradicional. Vinculados ao CABSIN serão: o consultor da OMS na área de MTCI e fundador e vice-presidente do Consórcio, Dr. Ricardo Ghelman; a pesquisadora e Profa. Ana Paula Ferreira, diretora-secretária do CABSIN e coordenadora do Comitê de Osteopatia do Consórcio; o Prof. Nelson Filice de Barros, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro do Comitê de Oncologia Integrativa; o Prof. Marcelo Demarzo, da Escola Paulista de Medicina e membro do Comitê de Saúde Mental e Espiritualidade do Consórcio.
O Ministério da Saúde brasileiro também estará presente no evento representado por Ilano Almeida Barreto e Silva, Secretário Adjunto da Secretária de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (SAPS/MS), e por Daniel Amado, coordenador da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) junto à SAPS/MS. Amado apresentará o tema “Medindo o progresso e traçando os próximos passos: padrões, dados e inteligência artificial responsável, do conhecimento ancestral à ação” (Measuring progress and charting the way forward: standards, data and responsible AI, from ancestral knowledge to action).
Outro brasileiro na II Cúpula Global será João Paulo Souza, diretor do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME-OPAS/OMS), painelista da sessão “Medicina Tradicional e a continuidade do conhecimento em saúde” (Traditional Medicine and the continuum of knowledge in health).
Sobre o Second WHO Global Summit on Traditional Medicine
Realizado pela primeira vez em 2023, na Índia, o WHO Global Summit on Traditional Medicine reúne governos, cientistas, reguladores e representantes de povos tradicionais para debater políticas, segurança, regulação, pesquisa e inovação em MTCI. Em sua segunda edição, a cúpula aprofunda marcos globais de evidências, apresenta avanços como a WHO Traditional Medicine Global Library e impulsiona a Estratégia Global de MTCI 2025–2034, apoiando países a integrar práticas integrativas de forma segura, custo-efetiva e culturalmente adequada.
Vozes do Brasil no Second WHO Global Summit on Traditional Medicine
- Painelista: Prof. Dra. Mariana Cabral Schveitzer
- Tema: MTCI para dor crônica: mapeamento de evidências (Sessão Paralela 2.C)
- Dia: 18 de dezembro
- Horário: das 10h15 –10h45 (Índia) | 1h45 – 2h15 (Brasília)
- Para assistir: todas as sessões serão gravadas e estarão disponíveis ao final de cada dia da Global Summit em: tm-summit.org


