Osteopatia baseada em evidências no II Global Summit da OMS

A redução consistente do tempo de internação neonatal, associada à ausência de eventos adversos graves, vem reposicionando a osteopatia baseada em evidências como abordagem segura e custo-efetiva para o cuidado de recém-nascidos. Esses achados sustentam o projeto que será apresentado pela Dra. Ana Paula A. Ferreira, coordenadora do Comitê de Osteopatia do Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN), na Segunda Cúpula Global de Medicina Tradicional da OMS (Second WHO Global Traditional Medicine Summit – GTMS), de 17 a 19 de dezembro de 2025, em Nova Délhi, Índia.

Autoria internacional e inovação científica em osteopatia neonatal

O estudo “Estrutura global de cuidados osteopáticos neonatais baseados em evidências: ampliação de intervenções manuais seguras para melhores resultados de saúde” foi desenvolvido por pesquisadores do Centre for Osteopathic Research and Leadership (CORaL) da Health Sciences University/UCO School of Osteopathy (Reino Unido). O grupo reúne: Dr. Loïc Treffe, Profa. Chantal Morin, Profa. Amie Steel, Dr. Jerry Draper-Rodi e a própria Dra. Ana Paula, única representante brasileira.

A proposta respondeu ao Apelo à Inovação em Patrimônio da Saúde da OMS (H2I), que incentiva soluções que integrem conhecimento tradicional, rigor científico e aplicabilidade em saúde pública. Após análise de 1.175 candidaturas, o projeto foi selecionado entre os 21 finalistas globais para apresentação oficial no Summit, reforçando sua relevância científica e potencial impacto para os sistemas de saúde.

Evidências científicas fortalecem a segurança e a efetividade

O conjunto de estudos que fundamenta o projeto demonstra benefícios como maior estabilidade fisiológica e redução de complicações gastrointestinais, especialmente em prematuros. Para a OMS, intervenções que combinem segurança, efetividade e baixo custo são estratégicas para qualificar o cuidado neonatal.

“A construção de uma estrutura global padronizada, sustentada por resultados clínicos consistentes, amplia a possibilidade de oferecer um cuidado seguro e humanizado. Nosso foco é propor um modelo aplicável em diferentes países, respeitando contextos locais e garantindo qualidade assistencial”, afirma a Dra. Ana Paula.

Doutora em Ciências da Reabilitação, docente do Instituto Brasileiro de Osteopatia (IBO) e pesquisadora visitante do Centro de Pesquisa Australiano de Medicina Complementar e Integrativa (ARCCIM), ela atua na integração entre pesquisa, formação e políticas públicas em osteopatia, contribuindo para o fortalecimento da MTCI no Brasil e no cenário internacional.

Padrões internacionais da OMS reforçam a segurança da osteopatia

A relevância do projeto dialoga com os esforços da OMS para qualificar a formação em osteopatia no mundo. O documento Benchmarks for Training in Osteopathy estabelece padrões que incluem ao menos 4.200 horas de formação, com 1.000 horas de prática clínica supervisionada, além de diretrizes para iniciantes e profissionais já graduados.

A publicação destaca uma abordagem centrada na pessoa e fundamentada no modelo biopsicossocial, integrando dimensões físicas, emocionais e sociais. Também descreve cinco modelos estruturantes da prática osteopática. Ao reforçar competências técnicas, avaliação clínica qualificada e compreensão das contraindicações, esses referenciais contribuem para a segurança do paciente e para a integração responsável da osteopatia aos sistemas de saúde, alinhando-se à proposta apresentada no Summit.

Benchmarks for Training in Osteopathy foi publicado pela OMS em 2010 e segue em processo de atualização num projeto conjunto com a Osteopathic International Alliance (OIA).

https://oialliance.org/who-collaborative-project-task-forces/

Ministério da Saúde e BIREME: mais brasileiros na Cúpula

Mais representantes brasileiros estarão na II Cúpula Global da OMS em Medicina Tradicional. Vinculados ao CABSIN serão: o consultor da OMS no país e fundador e vice-presidente do Consórcio, Dr. Ricardo Ghelman; a pesquisadora e Profa. Mariana Cabral Schveitzer, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); o Prof. Nelson Filice de Barros, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro do Comitê de Oncologia Integrativa; o Prof. Marcelo Demarzo, da Escola Paulista de Medicina e membro do Comitê de Saúde Mental e Espiritualidade do Consórcio.

O Ministério da Saúde brasileiro também estará presente no evento representado por Ilano Almeida Barreto e Silva, Secretário Adjunto da Secretária de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (SAPS/MS), e por Daniel Amado, coordenador da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) junto à SAPS. Amado apresentará o tema “Medindo o progresso e traçando os próximos passos: padrões, dados e inteligência artificial responsável, do conhecimento ancestral à ação” (Measuring progress and charting the way forward: standards, data and responsible AI, from ancestral knowledge to action).

Outras participações e como assistir

Outro brasileiro na II Cúpula Global será João Paulo Souza, diretor do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME-OPAS/OMS), painelista da sessão “Medicina Tradicional e a continuidade do conhecimento em saúde” (Traditional Medicine and the continuum of knowledge in health).

Para assistir, todas as sessões serão gravadas e estarão disponíveis ao final de cada dia da Global Summit em: tm-summit.org/

Sobre o Second WHO Global Summit on Traditional Medicine

Realizado pela primeira vez em 2023, na Índia, o WHO Global Summit on Traditional Medicine reúne governos, cientistas, reguladores e representantes de povos tradicionais para debater políticas, segurança, regulação, pesquisa e inovação em MTCI. Em sua segunda edição, a cúpula aprofunda marcos globais de evidências, apresenta avanços como a WHO Traditional Medicine Global Library e impulsiona a Estratégia Global de MTCI 2025–2034, apoiando países a integrar práticas integrativas de forma segura, custo-efetiva e culturalmente adequada.