O Papel da Enfermagem nas Práticas Integrativas

Em entrevista ao CABSIN, no encerramento da Semana da Enfermagem no país, coordenadora da Câmara Técnica de PICS do COFEN destaca formação, segurança do paciente e articulação com gestores como caminhos para ampliar as práticas integrativas no SUS

Neste dia 20 de maio, quando o Brasil celebra o Dia Nacional do Técnico e do Auxiliar de Enfermagem e encerra a Semana da Enfermagem, o Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) estreia o Papo CABSIN com uma entrevista dedicada ao papel da categoria na oferta das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). A série reúne especialistas de diferentes áreas da saúde que têm presença importante na oferta e no registro das práticas no Sistema Único de Saúde (SUS) e pode ser assistida no canal do CABSIN no YouTube.

A Força da Categoria no SUS

O episódio de abertura é com a Dra. Talita Pavarini, enfermeira, fundadora do Instituto Pavarini e coordenadora da Câmara Técnica de Práticas Integrativas e Complementares do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Segundo ela, a ampliação das PICS no SUS passa, em grande medida, pela enfermagem, e essa relação tem uma razão concreta: a capilaridade da categoria. “A enfermagem está em todos os municípios do país. Nós somos a espinha dorsal do SUS”, afirmou.

Para Talita, a presença de enfermeiros, técnicos, auxiliares, obstetrizes e parteiras em diferentes níveis de atenção ajuda a explicar a força da categoria na oferta das PICS. Mas esse avanço, ressalta, precisa caminhar junto com formação adequada, respaldo normativo, segurança do paciente e atuação baseada em evidências. “Nós temos legislação, pesquisa e atuação”, resumiu, ao lembrar que o COFEN já reconhecia práticas integrativas antes mesmo da criação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que completou 20 anos em 2026.

Resolução COFEN e Formação Profissional

Um dos pontos centrais da entrevista foi a Resolução COFEN nº 739/2024, que normatiza a atuação da equipe de enfermagem nas PICS. Na prática, a norma organiza quem pode atuar, em quais práticas, com que tipo de formação e qual carga horária mínima deve ser observada. Enfermeiros podem atuar em todas as práticas previstas, algumas mediante especialização; técnicos e auxiliares também podem realizar determinadas práticas, desde que tenham capacitação específica.

Talita destaca que esse direcionamento é essencial em um mercado com tantas ofertas de cursos. “A resolução te fala o critério mínimo de escolha. Isso contribui para o profissional escolher uma formação que traga segurança para ele e, por consequência, para o paciente.”

Sensibilização de Gestores e Articulação

Outro desafio destacado foi a sensibilização dos gestores. Para a coordenadora da Câmara Técnica de PICS do COFEN, não basta dizer que uma prática faz bem ao paciente: é preciso traduzir seu potencial para a realidade do serviço, mostrando fluxos, custos, agenda, espaço físico, profissionais responsáveis e possíveis impactos em indicadores já acompanhados pela gestão. Ela cita como exemplo a articulação bem-sucedida das PICS com programas de saúde mental, saúde da mulher, oncologia e cuidados paliativos nos serviços. “Eu preciso juntar esses ‘óbvios’ e traduzir numa linguagem possível e segura para o gestor”, afirmou.

Estratégia para Profissionais Atuantes

Para os profissionais que já oferecem PICS, a mensagem de Talita é de continuidade, estratégia e articulação. “A gente está num momento histórico, num momento realmente muito fértil”, afirmou. Segundo ela, quem já atua com as práticas deve seguir, mas também pensar em formas de ampliar sua presença nos serviços e sensibilizar colegas e gestores. Uma das sugestões é simples e direta: convidar essas pessoas a receberem as práticas. “Muitos profissionais entraram nas PICS por experiência própria, por uma necessidade pessoal, ficaram encantados com o resultado e foram adiante na formação. Então, sensibilize seus pares pelas suas mãos.”

Orientações para Iniciantes e Assista na Íntegra

Para profissionais de enfermagem que desejam começar na área das PICS, a orientação é objetiva: conhecer a Resolução COFEN nº 739/2024, verificar o que sua categoria profissional pode realizar, escolher uma prática com a qual se identifique e avaliar com rigor a formação escolhida. Talita também recomenda que o profissional experimente as práticas como paciente, antes de incorporá-las ao cuidado. “Permita-se receber as práticas integrativas, até para entender como você reage e ter essa percepção junto ao seu paciente”, disse. Em tom bem-humorado, ela também defende que mais pessoas conheçam a consulta de enfermagem por experiência própria. “Quem nunca passou numa consulta com um enfermeiro está vivendo errado. Tem que passar por essa experiência.”

Papo CABSIN com a Dra. Talita Pavarini

Assista na íntegra aqui