Especialistas Discutem Integração de Perspectivas Regulatórias e Padrões Farmacopeicos

O fortalecimento da segurança, da qualidade e da regulamentação baseada em evidências para medicamentos fitoterápicos e produtos botânicos esteve no centro das discussões do webinar internacional Seguridad Botánica: Integración de Perspectivas Regulatorias y Estándares Farmacopeicos en la Regulación de Medicamentos Herbales y Productos Botánicos, realizado em 28 de maio de 2026 com apoio do Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) e da United States Pharmacopeia (USP).

A iniciativa da Rede MTCI Américas faz parte de uma série de encontros virtuais reunindo especialistas para fortalecer o diálogo e a cooperação internacional em torno das Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI) com foco em abordagens baseadas em evidências. Transmitido ao vivo pelos canais da Rede MTCI Américas e do CABSIN no YouTube, o webinar contou com a participação da diretora-executiva do Consórcio, Adriana Wolffenbuttel.

Mapas de Evidências e Pesquisa de Plantas Medicinais

Ao apresentar o trabalho desenvolvido pelo CABSIN na produção e disseminação de evidências científicas em MTCI, durante a abertura do evento, Adriana Wolffenbuttel destacou os 16 comitês científicos da instituição, sua atuação como centro de excelência em pesquisa e a colaboração com organismos nacionais e internacionais.

A diretora também apresentou os Mapas de Evidências da Efetividade Clínica, desenvolvidos em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME-OPAS/OMS), que sintetizam revisões sistemáticas e evidências científicas para apoiar gestores e profissionais de saúde.

Outro destaque foi a apresentação do Compêndio Pan-Americano de Plantas Medicinais, iniciativa que reúne pesquisadores de 15 países para sistematizar informações científicas sobre 117 plantas medicinais utilizadas nas Américas. Atualmente, o grupo conta com a coordenação geral de Ricardo Ghelman, vice-presidente do CABSIN e consultor estratégico da OMS.

Segundo Adriana, que é coordenadora-executiva do projeto, a iniciativa analisa aspectos relacionados ao cultivo, uso medicinal, princípios ativos, evidências pré-clínicas e clínicas, patentes e informações de segurança, incluindo dados sobre toxicidade.

Consórcio Internacional Discute Novas Abordagens para Avaliação de Segurança

Na sequência, Maria Monagas, da USP, apresentou Jessica Jiménez, toxicologista regulatória da Procter & Gamble e integrante do Botanical Safety Consortium (BSC). Durante sua exposição, Jessica abordou os desafios relacionados à avaliação de segurança de produtos botânicos, destacando que eles são misturas altamente complexas e variáveis, influenciadas por fatores como condições de cultivo, colheita, processamento e exposição.

A palestrante explicou que os métodos tradicionais de toxicologia foram desenvolvidos principalmente para substâncias químicas isoladas, como medicamentos sintéticos e pesticidas, o que cria desafios para a avaliação de misturas complexas. Nesse contexto, apresentou o trabalho do BSC, iniciativa criada em 2019 por meio de uma parceria entre a Food and Drug Administration (FDA), o National Institute of Environmental Health Sciences (NIEHS) e o Health and Environmental Sciences Institute (HESI).

Segundo Jessica, o consórcio busca avaliar a adequação de metodologias modernas de toxicologia para produtos botânicos, utilizando ferramentas como modelos celulares, métodos computacionais, bioinformática e análises integradas de dados. O objetivo é ampliar a base científica disponível para futuras avaliações de segurança, sem substituir os processos regulatórios existentes.

Experiência Mexicana Destaca Regulamentação e Farmacopeia Herbolária

O segundo bloco temático foi dedicado à experiência regulatória do México em relação aos produtos derivados de plantas medicinais. Os especialistas apresentaram a estrutura regulatória utilizada no país para classificar suplementos alimentares, remédios herbais e medicamentos fitoterápicos, destacando que cada categoria possui requisitos específicos relacionados à segurança, qualidade e comprovação científica.

Durante a apresentação, foi ressaltado que aproximadamente 90% da população mexicana utiliza plantas medicinais, prática associada às tradições culturais e aos conhecimentos dos povos originários. Os palestrantes também apresentaram a Farmacopeia Herbolária Mexicana (Farmacopea Herbolaria de los Estados Unidos Mexicanos – FHEUM), documento que reúne métodos de análise, monografias de drogas vegetais, informações sobre óleos essenciais, requisitos de qualidade e orientações sobre o uso seguro de plantas medicinais.

Outro destaque foi a apresentação da Farmacopeia dos Povos Indígenas (Farmacopea de los Pueblos Originarios Herbolaria del Pueblo Yaqui), publicação lançada em 2023 que reúne informações sobre 25 plantas utilizadas tradicionalmente pelo povo Yaqui, no estado de Sonora (México). O material foi desenvolvido com participação comunitária e disponibilizado gratuitamente, incluindo versões em língua indígena.

Cooperação Internacional e Fortalecimento da Base Científica

Ao longo do webinar, os participantes discutiram temas relacionados à harmonização regulatória, produção de evidências científicas, segurança de produtos botânicos e intercâmbio de informações entre países das Américas. Foram destacadas ainda a importância da colaboração internacional para o desenvolvimento de metodologias, padrões de qualidade e mecanismos de avaliação capazes de apoiar o uso seguro de plantas medicinais, fitoterápicos e produtos botânicos.

No encerramento, Natalia Sofia Aldana Martinez, da Rede MTCI Américas, anunciou novas atividades previstas para este ano, incluindo webinars dedicados à integração da MTCI nos sistemas de saúde das Américas e ao estado atual das pesquisas e da articulação da medicina ayurvédica nos serviços de saúde. Segundo Natalia, as iniciativas integram os esforços da Rede MTCI Américas para promover intercâmbio técnico e científico entre pesquisadores, instituições, gestores e profissionais envolvidos com as Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas na região.