Protagonismo Brasileiro na Agenda Internacional

O protagonismo brasileiro na agenda internacional da Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (MTCI) acaba de ganhar novos contornos com as nomeações do médico e professor Ricardo Ghelman para várias posições estratégicas em instituições de referência global, após presidir o 3o Congresso Mundial de Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (3rd WCTCIM), em outubro de 2025, no Rio de Janeiro.

Fundador e atual vice-presidente do Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN), Ghelman celebra 40 anos de graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1986-2026), onde atua como professor colaborador junto ao Departamento de Medicina em Atenção Primária na Faculdade de Medicina. Tem mestrado pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado e pós-doutorado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP).

Atuação na OMS e Sociedades Internacionais

Membro do Painel Consultivo de Especialistas da OMS em Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (MTCI) desde 2019, Ricardo Ghelman passou a integrar dois grupos da OMS: o Grupo Consultivo Estratégico e Técnico do Centro Global de Medicina Tradicional (Strategy and Technical Advisory Group – STAG/GTMC/WHO), e o Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial em Medicina Tradicional (Topic Group, AI TM, WHO).

Também foi nomeado copresidente do Comitê Global da Sociedade de Oncologia Integrativa (Global Committee, Society for Integrative Oncology – SIO), ao lado da presidente do Comitê, Dra. Nina Fuller-Shavel, do Reino Unido, e membro da diretoria executiva da Sociedade Europeia de Medicina Integrativa (European Society of Integrative Medicine – ESIM), presidido por Georg Seifert (Alemanha).

Novas Conexões e Fortalecimento do CABSIN

Recentemente, passou a atuar, ainda, como conselheiro da rede Integrative Health Global (IHG), sediada na Columbia University e liderada por Elena Ladas (EUA), e como membro do grupo coordenador do International Network of Integrative Pediatrics (INIP). Em fevereiro de 2026, foi designado líder da Cochrane Complementary Medicine Brazil ao lado de Caio Portella, presidente do CABSIN.

Para o CABSIN, a presença de Ricardo Ghelman nesses espaços reforça o papel do Consórcio como articulador acadêmico e institucional, ampliando pontes entre o debate global e as experiências brasileiras no campo do cuidado integral em saúde. Paralelamente, reflete o reconhecimento internacional do papel que o Brasil vem desempenhando na construção de políticas, evidências e cooperações em MTCI.

Definindo Estratégias Globais de MTCI na OMS

O convite para integrar o Grupo Consultivo Estratégico e Técnico sobre Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa do Centro Global de Medicina Tradicional da Organização Mundial da Saúde (STAG/GTMC/WHO) confere especial relevância a esse conjunto de nomeações.

O STAG é um órgão consultivo de alto nível que acompanha a implementação da Estratégia Global de Medicina Tradicional 2025–2034 da OMS e orienta as prioridades técnicas e científicas do Centro Global de Medicina Tradicional. Composto por 19 especialistas de diferentes regiões do mundo, o grupo conta com apenas três representantes das Américas, sendo Ghelman o único da América Latina.

Ao comentar o convite, ele destacou o alcance e a responsabilidade da função: “É uma honra muito grande trabalhar para a OMS como consultor nessa agenda de acompanhamento e definição de prioridades, já que a Estratégia Global de MTCI envolve 170 países e o Brasil está celebrando este ano 20 anos de política nacional na área. Já realizamos a primeira reunião presencial para estruturar o grupo, por ocasião do Global Summit, em dezembro do ano passado, em que foi reiterada a sigla ERIC, que representa os quatro objetivos da Estratégia Global: Evidências, Regulamentação, Implementação e Colaboração. Estou muito feliz por fazer parte deste seleto grupo”.

Liderança na Agenda Internacional da Oncologia Integrativa

A atuação no STAG reforça a inserção brasileira nos debates sobre evidências científicas e integração segura da MTCI nos sistemas de saúde, em consonância com os princípios da cobertura universal em saúde.

A SIO é a principal organização internacional dedicada à oncologia integrativa, e atua em parceria com a American Society of Clinical Oncology (ASCO) no desenvolvimento de guidelines que orientam a incorporação segura de cuidados complementares no cuidado oncológico baseados em evidências. A nomeação de Ricardo Ghelman amplia a participação latino-americana na liderança da instituição e fortalece a presença brasileira em um campo estratégico da MTCI.

Sobre o convite para assumir a vice-presidência do Comitê Global da SIO, Ghelman ressaltou o significado institucional desta sociedade e os desafios do campo: “Recebi com muita satisfação o convite para integrar a liderança da agenda de internacionalização da SIO, uma instituição séria, com mais de 20 anos de atuação, que reúne oncologistas e pesquisadores de diversos países.

Desafios e Metas na Oncologia

A oncologia integrativa é hoje uma das áreas que mais registram a procura por parte dos pacientes por modelos complementares de cuidado para melhorar sua qualidade de vida e reduzir os efeitos adversos do tratamento. Cerca de 33% dos pacientes com câncer buscam a abordagem integrativa, uma demanda que precisa ser acompanhada de ações coordenadas nas áreas da ciência, ética e acesso equitativo”.

Segundo ele, a nomeação também fortalece o papel do CABSIN no avanço de uma das sete metas prioritárias dentro do Acordo de Cooperação com a OPAS em Washington, que é o desenvolvimento de um Observatório Brasileiro de Oncologia Integrativa: “A proposta é criar uma cooperação entre hospitais brasileiros que já possuem programas neste campo, em pesquisa, ensino e boas práticas, interligando esses grupos ao Comitê de Oncologia Integrativa do Consórcio, ao Ministério da Saúde e à SIO”, explica. “As atividades de tradução para o português e adaptação do e-Book de oncologia integrativa da SIO para pacientes já foram iniciadas por membros do Comitê de Oncologia Integrativa”.

Construindo Pontes entre o Oriente e o Ocidente

Outro passo na articulação internacional foi a nomeação oficial de Ricardo Ghelman como membro da diretoria executiva da Sociedade Europeia de Medicina Integrativa (ESIM). A indicação decorre do apoio institucional da entidade ao 3º Congresso Mundial de MTCI, realizado no Rio de Janeiro, em outubro de 2025, e segue a tradição de integrar à sua diretoria presidentes de congressos realizados em parceria.

Ao assumir a nova função, ele destacou o papel estratégico da ESIM. “Minha primeira ação imediata como membro da diretoria é fazer parte da organização do Congresso Europeu de Medicina Integrativa, que acontecerá em outubro deste ano, na Turquia. Essa participação será essencial para conectar o Brasil ao grupo de especialistas que estão discutindo a inclusão da medicina milenar do Oriente Médio na agenda global de MTCI, construindo a ponte entre Oriente e Ocidente. Será uma oportunidade também de promover a agenda do International Network of Integrative Pediatrics, pela presença de pediatras da Turquia e Alemanha na presidência do congresso”.

Novo Patamar de Confiabilidade Científica

Completa esse ciclo de reconhecimento a nomeação de Ricardo Ghelman para liderança da Cochrane Complementary Medicine Brazil, agora sediada pelo CABSIN – cargo que dividirá com Caio Portella. A Cochrane Complementary Medicine, segmento da rede Cochrane, tem como missão promover decisões clínicas em Medicina Complementar informadas por evidências.

“Será uma honra e uma oportunidade para o Brasil trabalhar em colaboração com os cinco grupos Cochrane Complementary Medicine liderados pela Dra. Susan Wieland (EUA) e localizados na Suíça, Coreia do Sul, Alemanha e China. São iniciativas de pesquisa, tradução e disseminação do conhecimento para expandirmos o acesso das evidências sobre segurança e efetividades destas práticas complementares, sejam ancestrais ou modernas, em direção a uma implementação efetiva baseada em evidências nos sistemas de saúde.”

Compromisso e cooperação internacional

Todas essas nomeações em instituições com escopos e mandatos distintos convergem para um mesmo eixo estratégico: a participação ativa do Brasil na definição de prioridades globais em Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa, com base em evidências científicas, cooperação internacional e compromisso com a ciência e com sistemas de saúde públicos e equitativos.

Ricardo Ghelman é pediatra e clínico geral, formado há 40 anos. Nos últimos 32 anos, se dedicou ao atendimento clínico de famílias aliando a boa medicina convencional ao modelo europeu de medicina integrativa chamado medicina antroposófica, em paralelo à sua carreira acadêmica. Nos últimos oito anos tem se dedicado, cada vez mais, à saúde pública, à pesquisa e à colaboração internacional com mais de 40 países. Outras de suas atividades mais destacadas são a de membro ativo e vice-presidente do Núcleo de Pediatria Integrativa da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), membro do GT Criança, Adolescência e Natureza da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e membro do Conselho Internacional de Pesquisa em Medicina Antroposófica (Research Council, Goetheanum, Suíça).