Saúde mental e abordagens integrativas em pauta na Globo

O Brasil lidera o ranking global de ansiedade, com 9,3% da população afetada, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Diante desse cenário, a discussão sobre saúde mental e abordagens integrativas ganha relevância. O tema foi destaque no programa Bom Dia SP, da Globo, que convidou o Dr. Ricardo Ghelman para apresentar estratégias de prevenção e ratificar a oferta de cuidados em Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (MTCI) disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). A entrevista explorou desde sinais de alerta até práticas de autocuidado que podem reduzir sintomas. Dessa forma, a conversa ofereceu um panorama sobre como fortalecer o bem-estar emocional de forma complementar.

Sinais de alerta: a conexão entre sono e ansiedade

Dr. Ricardo Ghelman, consultor da OMS, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e vice-presidente do Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN), explicou que a insônia persistente é um dos principais marcadores de um transtorno de ansiedade. Quando acompanhada de tensão muscular, preocupação excessiva e cansaço prolongado, a dificuldade para dormir sinaliza um desequilíbrio que merece atenção. Além disso, o especialista destacou que a privação de sono pode contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, que estão diretamente relacionadas ao estresse contínuo.

O modelo A-B-C para o cuidado integral

Para orientar o autocuidado, Ghelman destacou um conceito prático denominado “A-B-C”, que organiza as abordagens de forma complementar e nunca alternativa ao tratamento convencional. A estrutura é a seguinte:

  • A — Estilo de vida saudável: Inclui alimentação balanceada, prática de exercícios físicos, arte, hobbies e outras atividades que promovam a conexão entre corpo e mente.
  • B — Terapias naturais e PICS: Refere-se às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), como aromaterapia, meditação, tai chi e o uso de plantas medicinais, muitas delas oferecidas gratuitamente no SUS.
  • C — Tratamento convencional: Engloba as abordagens médicas e psiquiátricas, que devem ser procuradas quando necessário e podem ser complementadas pelas atitudes descritas nos itens A e B.

Técnicas de regulação emocional e a oferta no SUS

Uma dica prática compartilhada pelo médico para momentos de estresse é a técnica de respiração focada na expiração. Expirar de forma lenta e profunda ativa o sistema nervoso parassimpático, responsável pelo relaxamento, e pode reduzir a tensão em poucos minutos. Essa é a base de muitas práticas integrativas, como a meditação. Dr. Ricardo reforçou que o acesso a essas ferramentas tem se expandido. “Atualmente, 85% dos municípios brasileiros já oferecem alguma modalidade de PICS, e o estado de São Paulo concentra mais de 15% dessas experiências em todo o país”, apontou.

O cuidado com a saúde mental de crianças e adolescentes

A ansiedade na infância também foi um ponto central da discussão. O especialista citou o impacto negativo do excesso de telas e da falta de contato com a natureza. Em contrapartida, ele mencionou pesquisas que demonstram os benefícios de atividades como mindfulness e yoga em ambiente escolar. Um estudo recente indica que crianças com maior exposição a áreas verdes apresentam uma redução significativa na necessidade de medicação para Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), por exemplo, o que demonstra que a reconexão com a natureza e a introdução de práticas respiratórias são estratégias de alto impacto para o público jovem.

Brasil no centro do debate internacional

Ao final da entrevista, Dr. Ricardo Ghelman mencionou que as experiências brasileiras em saúde integrativa serão apresentadas pelo CABSIN de 17 a 19 de dezembro de 2025, durante a Segunda Cúpula Global de Medicina Tradicional da OMS. O encontro, coorganizado pelo Governo da Índia, tem como propósito impulsionar um movimento internacional voltado a promover equilíbrio entre seres humanos e meio ambiente, com base científica e na prática das Medicinas Tradicionais.

Dados que reforçam a urgência do tema

A relevância da discussão é sustentada por dados que ilustram a crise de saúde mental no país:

  • Ansiedade: O Brasil lidera as taxas globais, com 9,3% da população afetada (OMS).
  • Depressão: Atinge 5,8% dos brasileiros.
  • Insônia: 73 milhões de pessoas convivem com o problema, sendo 40% de forma crônica.
  • Jovens: 42% das pessoas entre 14 e 24 anos apresentam sintomas clínicos de ansiedade ou depressão (UNICEF/UFPel).
  • Mulheres: Apresentam quase o dobro de diagnósticos de transtornos mentais em comparação aos homens.

Assista à entrevista completa

A conversa abordou em detalhes os sintomas da ansiedade, o funcionamento das práticas integrativas e depoimentos de pessoas que se beneficiam dos serviços oferecidos em centros de convivência no SUS. Assista ao vídeo para conferir a discussão na íntegra.