Padrões de qualificação refletem a relevância dessa forma de cuidado como uma prática médica que cresce globalmente
A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou no dia 29 de março de 2023 um documento com referências para treinamento em Medicina Antroposófica. O Benchmark é resultado de um rigoroso processo de mapeamento e revisão dos padrões de formação de especialistas dessa abordagem de saúde. Uma vez que a Medicina Antroposófica tem uma abordagem interdisciplinar, os novos padrões de formação aplicam-se a médicos, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais de saúde conforme as singularidades de cada área.
Em 2014, a OMS publicou documento norteador sobre a integração das Medicinas Tradicionais e Complementares nos Sistemas de Saúde como um importante objetivo estratégico (2014-2023). A entidade já publicou padrões voltados para outras medicinas como Ayurveda; Naturopatia; Medicina Tradicional Chinesa; Osteopatia; Quiropraxia e Acupuntura, entre outros.
A notícia foi celebrada internacionalmente. Thomas Breitkreuz, presidente da International Federation of Anthroposophic Medical Associations (IVAA), destacou no site da entidade, que agora os países terão que se empenhar para traduzir as referências apresentadas pela OMS de acordo com seus padrões de treinamento. “Esta é uma grande oportunidade para expandir o acesso dos pacientes a cuidados de saúde antroposóficos de alta qualidade ”, destacou Breitkreuz.
A médica Iracema Benevides, vice-presidente da IVAA, participou da construção desse documento e reconhece a relevância para a Antroposofia: “A publicação pela OMS representa um passo muito importante para a institucionalização, visibilidade e fortalecimento da Medicina Antroposófica, possibilitando que essa abordagem se integre ainda mais aos sistemas nacionais de saúde, com qualidade e segurança. É com muita alegria que celebramos essa publicação!”, comemorou Iracema.
O médico Ricardo Ghelman, presidente do CABSIN, conselheiro da OMS para vários Benchmarks em medicinas tradicionais, complementares e integrativas (MCTI) também participou da revisão deste documento. Ele destaca a importância de critérios mínimos para os currículos de formação dos profissionais habilitados. “Essa regulação dá suporte para que as MTCIs possam ser integradas aos sistemas de saúde, promovendo o acesso das populações à saúde integrativa com a garantia de que os profissionais vão estar habilitados de forma adequada com selo de qualidade OMS em práticas que são reconhecidas por sua eficácia, segurança e qualidade baseadas em evidências científicas”, enfatiza Ghelman.
Para Paulo Mauricio Vieira, Coordenador Adjunto do Comitê de Medicina Antroposófica do CABSIN, o documento é um incentivo para práticas e pesquisas fundamentadas na realidade do Sistema Único de Saúde brasileiro. “A referência da OMS para treinamento representa um marco histórico de reconhecimento da Medicina Antroposófica para assistência à saúde no âmbito mundial, com especial atenção às populações menos favorecidas. No Brasil, ela fortalece o belo trabalho exercido pelas diversas associações de saúde, fortalecendo e colaborando também com o longo esforço que vem sendo realizado pela Associação Brasileira de Medicina Antroposófica na formação médica. Nós do Comitê de Medicina Antroposófica parabenizamos o belo trabalho do IVAA pela assessoria técnica junto à OMS”, pontuou Vieira.
Webinar
A IVAA vai promover no dia 12 de abril, às 9h (horário de Brasília, 14h no fuso da Europa), um webinar em inglês “WHO Benchmarks: Milestone for Anthroposophic Medicine“ para apresentação e debate sobre o tema. A inscrição pode ser feita no site: https://www.ivaa.info/events/international-launch-symposium.
Saiba mais
Os referenciais para formação em Medicina Antroposófica pela OMS estão disponíveis em:
https://apps.who.int/iris/handle/10665/366645
Para acompanhar as ações do Comitê de Medicina Antroposófica do CABSIN, acesse:
https://cabsin.org.br/comite-de-antroposofia


